


Criando Coração Eletrônico
Um história baseada na relação entre um menino e seu robô era algo que eu queria escrever há um tempo. Sempre fui fascinado por esse conceito. Algumas referências como O Homem Bicentenário, Ron Bugado e, por que não, Os Jetsons, foram claras fontes de inspiração. Mas há algo de muito pessoal em Coração Eletrônico: aqui, eu me arrisco a criar uma ficção científica familiar, com fortes inspirações na minha vida pessoal e na geração atual.
Chico é um menino que representa uma tendência: uma criança que prefere passar o tempo com seus eletrônicos a conhecer o mundo lá fora. Além desse padrão, que é cultural e geracional, sua personalidade é um reflexo do autor que o criou (introspectivo, antissocial, sensível e sonhador). Eu pensava estar me inspirando em meu sobrinho, mas acabei revelando muito de mim nessa história.
A imagem de uma ecovila em um futuro avançado, com tecnologias sustentáveis e um renovado equilíbrio com a natureza, também me fascinou. Assim, crio um lugar utópico onde gostaríamos de viver, mas que ao mesmo tempo diz muito sobre nossa época atual. Esta é uma história que respira terra, plantas e a vida ao ar livre.
Mas o cerne de tudo é a busca que se tem mostrado fundamental em nosso tempo: o que significa ser humano? A resposta, é claro, passa por criatividade, inteligência emocional, laços e memórias afetivas.
Tulio Ferneda